Relatório de Atividades 2025
Relatório de Atividades 2025
Comentários finais

O ano de 2025 confirma a consolidação do Plano Nacional de Leitura como uma política pública estruturada, orientada por evidências e com impacto crescente nos territórios, nas escolas, nas famílias e nos contextos de educação de adultos. O trabalho desenvolvido deixou definitivamente para trás uma lógica de ações isoladas, passando a afirmar-se como um sistema articulado de programas, formação, recursos e redes de colaboração com capacidade de produzir efeitos sustentados no tempo.

Um dos aspetos mais relevantes deste ciclo foi a continuidade estratégica das ações estruturantes, condição essencial para que se verifiquem melhorias consistentes nos níveis de literacia e nos hábitos de leitura. Projetos como os Planos de Ação para a Leitura (PAL), o Leitura em Família, a Rede de Planos Locais de Leitura (PLL), os Clubes de Leitura, o 10 Minutos a Ler e o trabalho desenvolvido no âmbito do LABoratório PNL demonstram que a intervenção prolongada, acompanhada e monitorizada gera transformação real nas práticas educativas e culturais. A passagem de uma lógica anual para percursos plurianuais permitiu estabilizar equipas, aprofundar metodologias e produzir conhecimento aplicável a novos contextos.

Destaca-se igualmente a forte aposta na capacitação de mediadores (professores, bibliotecários, outros mediadores) através da Academia PNL e das ações de formação associadas aos diferentes programas. Em 2025, mais de um milhar de participantes frequentaram ações formativas, reforçando a criação de uma massa crítica nacional com linguagem comum, ferramentas partilhadas e maior capacidade de intervenção qualificada. Esta dimensão formativa é um dos principais fatores de sustentabilidade da ação do PNL, pois garante que o conhecimento produzido não fica circunscrito à equipa central, mas se dissemina pelos territórios.

Outro marco essencial de 2025 foi a produção sistemática de recursos de acesso livre, prontos a usar, dirigidos a professores, bibliotecários, mediadores e famílias. A publicação de guias de leitura, recursos didáticos para o trabalho das competências complexas, listas atualizadas de recomendação e materiais de apoio à implementação de projetos representa um investimento estruturante: cada recurso produzido multiplica o alcance do PNL, permitindo que as práticas de qualidade se repliquem de forma autónoma em escolas e comunidades. Estes materiais, sustentados por evidências científicas e testados em contexto real, constituem hoje um corpo coerente de ferramentas pedagógicas e culturais.

O reforço do Catálogo PNL, com centenas de novos títulos recomendados e a introdução de obras clássicas da literatura portuguesa, contribuiu para melhorar o acesso a livros de qualidade e para apoiar decisões de aquisição por parte de escolas, bibliotecas e famílias. Paralelamente, as sugestões de leitura regulares e a presença do PNL em feiras do livro e festivais literários fortaleceram a mediação entre livros e leitores.

No plano territorial, a expansão e dinamização da Rede de Planos Locais de Leitura, já implementados em dezenas de municípios, confirma que a política de leitura se enraíza quando existe visão estratégica

local articulada com orientação nacional. A realização do Encontro Nacional da Rede PLL e o desenvolvimento do projeto Bairro Leitor evidenciam uma nova geração de políticas culturais de proximidade, centradas na criação de ambientes ricos em leitura e na corresponsabilização de múltiplos agentes comunitários.

Importa ainda sublinhar a relevância do trabalho desenvolvido na área da literacia de adultos, nomeadamente através do projeto europeu iRead4Skills, que posiciona Portugal na linha da frente da inovação em acessibilidade textual e desenvolvimento de ferramentas digitais para leitores com diferentes níveis de proficiência. Este projeto reforça a dimensão internacional do PNL e demonstra a capacidade de articular política pública nacional com investigação e inovação à escala europeia.

Os números de participação, formação, municípios envolvidos, escolas abrangidas e recursos produzidos revelam uma escala de intervenção sem precedentes na história do PNL. Mas mais importante do que a dimensão é a qualidade estrutural do modelo de ação, assente em diagnóstico, planeamento estratégico, produção de recursos, formação, acompanhamento e avaliação.

Persistem desafios, sobretudo ao nível de recursos humanos e financeiros, que condicionaram a concretização de algumas iniciativas. Ainda assim, o trabalho realizado em 2025 demonstra que existe hoje uma arquitetura de política pública de leitura sólida, coerente e replicável, capaz de continuar a produzir efeitos duradouros se lhe forem asseguradas condições de estabilidade.

O PNL encerra este ciclo com uma marca clara: transformou a promoção da leitura numa política baseada em conhecimento, em rede e com instrumentos concretos ao serviço de quem lê, ensina, media e cria comunidades leitoras. Esse é um legado estrutural, cujos resultados continuarão a emergir muito para além do período aqui reportado.

 

Lisboa, 30 de janeiro de 2026

As Comissárias do Plano Nacional de Leitura

 

Regina dos Santos Duarte

Comissária do PNL2027

 

Andreia Brites

Subcomissária do PNL2027

 

 

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