Centenário José Saramago
Centenário José Saramago
nov. 2021

 

“As perguntas: «Quem és?» ou «Quem sou?» têm respostas fáceis: a pessoa conta a sua vida e assim se apresenta aos outros. A pergunta que não tem resposta formula-se de outra maneira: «Que sou eu?» Não «quem», mas «quê». Aquele que fizer essa pergunta enfrenta-se com uma página em branco e o pior é que não será capaz de escrever uma palavra que seja.“

in O Caderno.


Assinatura José Saramago 

 

Saramago 100 anos

 

As comemorações do centenário de José Saramago começam em novembro de 2021 prolongando-se até 16 de novembro de 2022, dia de aniversário do escritor. Durante doze meses teremos o privilégio de festejar o escritor e a sua obra.

 

 

José Saramago


“Assinala-se a 16 de novembro de 2022 o centenário de José Saramago. Tal como em circunstâncias semelhantes acontece com outros grandes vultos, a efeméride constituirá uma oportunidade privilegiada para a consolidação da presença do escritor na história cultural e literária, em Portugal e no estrangeiro.”

  

Programa do centenárioVer programa.

 

A presidente da Fundação José Saramago, Pilar del Río, e o comissário para o centenário do autor português, Carlos Reis, reuniram com Unesco, em Paris para programar ações culturais em França – ver notícia completa.

 

A UNESCO associa-se às celebrações do centenário de José Saramago. Leia a notícia na Revista Visão.

 

Comemorações do Centenário de José Saramago no Brasil e em Lanzarote.

 

  

José Saramago em criança                   José Saramago em criança


“Nasci numa família de camponeses sem terra, em Azinhaga, uma pequena povoação situada na província do Ribatejo, na margem direita do rio Almonda, a uns cem quilómetros a nordeste de Lisboa. Meus pais chamavam-se José de Sousa e Maria da Piedade. José de Sousa teria sido também o meu nome se o funcionário do Registo Civil, por sua própria iniciativa, não lhe tivesse acrescentado a alcunha por que a família de meu pai era conhecida na aldeia: Saramago. (Cabe esclarecer que saramago é uma planta herbácea espontânea, cujas folhas, naqueles tempos, em épocas de carência, serviam como alimento na cozinha dos pobres). Só aos sete anos, quando tive de apresentar na escola primária um documento de identificação, é que se veio a saber que o meu nome completo era José de Sousa Saramago… Não foi este, porém, o único problema de identidade com que fui fadado no berço. Embora tivesse vindo ao mundo no dia 16 de Novembro de 1922, os meus documentos oficiais referem que nasci dois dias depois, a 18: foi graças a esta pequena fraude que a família escapou ao pagamento da multa por falta de declaração do nascimento no prazo legal. 

Talvez por ter participado na Grande Guerra, em França, como soldado de artilharia, e conhecido outros ambientes, diferentes do viver da aldeia, meu pai decidiu, em 1924, deixar o trabalho do campo e trasladar-se com a família para Lisboa, onde começou a exercer a profissão de polícia de segurança pública, para a qual não se exigiam mais “habilitações literárias” (expressão comum então…) que ler, escrever e contar. Poucos meses depois de nos termos instalado na capital, morreria meu irmão Francisco, que era dois anos mais velho do que eu. Embora as condições em que vivíamos tivessem melhorado um pouco com a mudança, nunca viríamos a conhecer verdadeiro desafogo económico. Já eu tinha 13 ou 14 anos quando passámos, enfim, a viver numa casa (pequeníssima) só para nós: até aí sempre tínhamos habitado em partes de casa, com outras famílias. Durante todo este tempo, e até à maioridade, foram muitos, e frequentemente prolongados, os períodos em que vivi na aldeia com os meus avós maternos, Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha. 

Fui bom aluno na escola primária: na segunda classe já escrevia sem erros de ortografia, e a terceira e quarta classes foram feitas em um só ano. Transitei depois para o liceu, onde permaneci dois anos, com notas excelentes no primeiro, bastante menos boas no segundo, mas estimado por colegas e professores, ao ponto de ser eleito (tinha então 12 anos…) tesoureiro da associação académica… Entretanto, meus pais haviam chegado à conclusão de que, por falta de meios, não poderiam continuar a manter-me no liceu. A única alternativa que se apresentava seria entrar para uma escola de ensino profissional, e assim se fez: durante cinco anos aprendi o ofício de serralheiro mecânico. O mais surpreendente era que o plano de estudos da escola, naquele tempo, embora obviamente orientado para formações profissionais técnicas, incluía, além do Francês, uma disciplina de Literatura.

Como não tinha livros em casa (livros meus, comprados por mim, ainda que com dinheiro emprestado por um amigo, só os pude ter aos 19 anos), foram os livros escolares de Português, pelo seu carácter “antológico”, que me abriram as portas para a fruição literária: ainda hoje posso recitar poesias aprendidas naquela época distante. Terminado o curso, trabalhei durante cerca de dois anos como serralheiro mecânico numa oficina de reparação de automóveis. 

Também por essas alturas tinha começado a frequentar, nos períodos nocturnos de funcionamento, uma biblioteca pública de Lisboa. E foi aí, sem ajudas nem conselhos, apenas guiado pela curiosidade e pela vontade de aprender, que o meu gosto pela leitura se desenvolveu e apurou. 

Quando casei, em 1944, já tinha mudado de actividade, passara a trabalhar num organismo de Segurança Social como empregado administrativo. Minha mulher, Ilda Reis, então dactilógrafa nos Caminhos de Ferro, viria a ser, muitos anos mais tarde, um dos mais importantes gravadores portugueses. Faleceria em 1998. Em 1947, ano do nascimento da minha única filha, Violante, publiquei o primeiro livro, um romance que intitulei A Viúva, mas que por conveniências editoriais viria a sair com o nome de Terra do Pecado. Escrevi ainda outro romance, Clarabóia, que permanece inédito até hoje, e principiei um outro, que não passou das primeiras páginas: chamar-se-ia O Mel e o Fel ou talvez Luís, filho de Tadeu… A questão ficou resolvida quando abandonei o projecto: começava a tornar-se claro para mim que não tinha para dizer algo que valesse a pena. Durante 19 anos, até 1966, quando publicaria Os Poemas Possíveis, estive ausente do mundo literário português, onde devem ter sido pouquíssimas as pessoas que deram pela minha falta.



José Saramago com a família

Com Ilda Reis e a filha Violante, anos 50 ©Arquivo da FJS


Por motivos políticos fiquei desempregado em 1949, mas, graças à boa vontade de um meu antigo professor do tempo da escola técnica, pude encontrar ocupação na empresa metalúrgia de que ele era administrador. No final dos anos 50 passei a trabalhar numa editora, Estúdios Cor, como responsável pela produção, regressando assim, mas não como autor, ao mundo das letras que tinha deixado anos antes. Essa nova actividade permitiu-me conhecer e criar relações de amizade com alguns dos mais importantes escritores portugueses de então. Para melhorar o orçamento familiar, mas também por gosto, comecei, a partir de 1955, a dedicar uma parte do tempo livre a trabalhos de tradução, actividade que se prolongaria até 1981: Colette, Pär Lagerkvist, Jean Cassou, Maupassant, André Bonnard, Tolstoi, Baudelaire, Étienne Balibar, Nikos Poulantzas, Henri Focillon, Jacques Roumain, Hegel, Raymond Bayer foram alguns dos autores que traduzi. Outra ocupação paralela, entre Maio de 1967 e Novembro de 1968, foi a de crítico literário. Entretanto, em 1966, publicara Os Poemas Possíveis, uma colectânea poética que marcou o meu regresso à literatura. A esse livro seguiu-se, em 1970, outra colectânea de poemas, Provavelmente Alegria, e logo, em 1971 e 1973 respectivamente, sob os títulos Deste Mundo e do Outro e A Bagagem do Viajante, duas recolhas de crónicas publicadas na imprensa, que a crítica tem considerado essenciais à completa compreensão do meu trabalho posterior. Tendo-me divorciado em 1970, iniciei uma relação de convivência, que duraria até 1986, com a escritora portuguesa Isabel da Nóbrega. 

Deixei a editora no final de 1971, trabalhei durante os dois anos seguintes no vespertino Diário de Lisboa como coordenador de um suplemento cultural e como editorialista. Publicados em 1974 sob o título As Opiniões que o DL teve, esses textos representam uma “leitura” bastante precisa dos últimos tempos da ditadura que viria a ser derrubada em Abril daquele ano. Em Abril de 1975 passei a exercer as funções de director-adjunto do matutino Diário de Notícias, cargo que desempenhei até Novembro desse ano e de que fui demitido na sequência das mudanças ocasionadas pelo golpe político-militar de 25 de daquele mês, que travou o processo revolucionário. Dois livros assinalam esta época: O Ano de 1993, um poema longo publicado em 1975, que alguns críticos consideram já anunciador das obras de ficção que dois anos depois se iniciariam com o romance Manual de Pintura e Caligrafia, e, sob o título Os Apontamentos , os artigos de teor político que publiquei no jornal de que havia sido director.



José Saramago



Sem emprego uma vez mais e, ponderadas as circunstâncias da situação política que então se vivia, sem a menor possibilidade de o encontrar, tomei a decisão de me dedicar inteiramente à literatura: já era hora de saber o que poderia realmente valer como escritor. No princípio de 1976 instalei-me por algumas semanas em Lavre, uma povoação rural da província do Alentejo. Foi esse período de estudo, observação e registo de informações que veio a dar origem, em 1980, ao romance Levantado do Chão, em que nasce o modo de narrar que caracteriza a minha ficção novelesca. Entretanto, em 1978, havia publicado uma colectânea de contos, Objecto Quase, em 1979 a peça de teatro A Noite, a que se seguiu, poucos meses antes da publicação de Levantado do Chão, nova obra teatral, Que Farei com este Livro? Com excepção de uma outra peça de teatro, intitulada A Segunda Vida de Francisco de Assis e publicada em 1987, a década de 80 foi inteiramente dedicada ao romance: Memorial do Convento, 1982, O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984, A Jangada de Pedra, 1986, História do Cerco de Lisboa, 1989. Em 1986 conheci a jornalista espanhola Pilar del Río. Casámo-nos em 1988.

 

José Saramago e Pilar del Rio

 

 

Em consequência da censura exercida pelo Governo português sobre o romance O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991), vetando a sua apresentação ao Prémio Literário Europeu sob pretexto de que o livro era ofensivo para os católicos, transferimos, minha mulher e eu, em Fevereiro de 1993, a nossa residência para a ilha de Lanzarote, no arquipélago de Canárias. No princípio desse ano publiquei a peça In Nomine Dei, ainda escrita em Lisboa, de que seria extraído o libreto da ópera Divara, com música do compositor italiano Azio Corghi, estreada em Münster (Alemanha), em 1993. Não foi esta a minha primeira colaboração com Corghi: também é dele a música da ópera Blimunda, sobre o romance Memorial do Convento, estreada em Milão (Itália), em 1990. Em 1993 iniciei a escrita de um diário, Cadernos de Lanzarote, de que estão publicados cinco volumes. 

Em 1995 publiquei o romance Ensaio sobre a Cegueira e em 1997 Todos os Nomes e O Conto da Ilha Desconhecida.

Em 1995 foi-me atribuído o Prémio Camões, e em 1998 o Prémio Nobel de Literatura. 

Em consequência da atribuição do Prémio Nobel a minha actividade pública viu-se incrementada. Viajei pelos cinco continentes, oferecendo conferências, recebendo graus académicos, participando em reuniões e congressos, tanto de carácter literário como social e político, mas, sobretudo, participei em acções reivindicativas da dignificação dos seres humanos e do cumprimento da Declaração dos Direitos Humanos pela consecução de uma sociedade mais justa, onde a pessoa seja prioridade absoluta, e não o comércio ou as lutas por um poder hegemónico, sempre destrutivas. 

Creio ter trabalhado bastante durante estes últimos anos. Desde 1998, publiquei Folhas Políticas (1976-1998) (1999), A Caverna (2000), A Maior Flor do Mundo (2001), O Homem Duplicado (2002), Ensaio sobre a Lucidez (2004), Don Giovanni ou o Dissoluto Absolvido (2005), As Intermitências da Morte (2005) e As Pequenas Memórias (2006). Agora, neste Outono de 2008, aparecerá um novo livro: A Viagem do Elefante, um conto, uma narrativa, uma fábula. 

No ano de 2007 decidiu criar-se em Lisboa uma Fundação com o meu nome, a qual assume, entre os seus objectivos principais, a defesa e a divulgação da literatura contemporânea, a defesa e a exigência de cumprimento da Carta dos Direitos Humanos, além da atenção que devemos, como cidadãos responsáveis, ao cuidado do meio ambiente. Em Julho de 2008 foi assinado um protocolo de cedência da Casa dos Bicos, em Lisboa, para sede da Fundação José Saramago, onde esta continuará a intensificar e consolidar os objectivos a que se propôs na sua Declaração de Princípios, abrindo portas a projectos vivos de agitação cultural e propostas transformadoras da sociedade. 

Nota – Depois de A Viagem do Elefante, José Saramago escreveu Caim, O Caderno e O Caderno II, publicados em 2009 e que não chegou a acrescentar à sua Autobiografia. 

Postumamente, foram publicados Claraboia (concluído em 1953 e publicado em 2011) e Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas (2014), romance incompleto que José Saramago estava a escrever em 2010.“

in Fundação José Saramago

 

Leia a biografia de José Saramago.

 

José Saramago

 

“Queriam saber tudo quanto me aconteceu e fiz, desde que nasci como escritor e como pessoa. Era como se procurassem a receita mágica, ou não tanto, que faz passar alguém do anonimato nas letras ( sempre relativo) às letras da fama ( relativa sempre). Falo-lhe de trabalho e de disciplina, digo-lhes que não ter pressa não  é incompatívl com não perder tempo,que o pecado mortal do escritor é a obsessão da carreira, ilustro tudo isto com a minha própria vida, valha ela o que valer, e não me esqueço de acrescentar que para tudo se necessita sorte: a sorte grande de que os leitores nos descubram a tempo, ou, menor sorte essa, que nos descubram ainda que já seja demasiado tarde para que o saibamos nós.”

in Cadernos de Lanzarote – Diário III

 

 

 Entrevista conduzida por Ana Sousa Dias a José Saramago.

 

“Dificílimo acto é o de escrever, responsabilidade das maiores. (…) Basta pensar no extenuante trabalho que será dispor por ordem temporal os acontecimentos, primeiro este, depois aquele, ou, se tal mais convém às necessidades do efeito, o sucesso de hoje posto antes do episódio de ontem, e outras não menos arriscadas acrobacias(…)”

in A Jangada de Pedra

 

Obras de José Saramago

Romance

      Terra do Pecado, 1947
      Manual de Pintura e Caligrafia, 1977
      Levantado do Chão, 1980
      Memorial do Convento, 1982
      O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984
      A Jangada de Pedra, 1986
      História do Cerco de Lisboa, 1989
      O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991
      Ensaio Sobre a Cegueira, 1995
      Todos os Nomes, 1997
      A Caverna, 2000
      O Homem Duplicado, 2002
      Ensaio Sobre a Lucidez, 2004
      As Intermitências da Morte, 2005
      A Viagem do Elefante, 2008
      Caim, 2009
      Claraboia, 2011
      Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas, 2014


Obras de José Saramago

 

 Crónicas

      Deste Mundo e do Outro, 1971
      A Bagagem do Viajante, 1973
      As Opiniões que o DL Teve, 1974


Peças teatrais

      A Noite, 1979
      Que Farei com Este Livro?, 1980
      A Segunda Vida de Francisco de Assis, 1987
      In Nomine Dei, 1993
      Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido, 2005

Peças teatrais

Contos

      Objecto Quase, 1978
      Poética dos Cinco Sentidos - O Ouvido, 1979
      O Conto da Ilha Desconhecida, 1997

 

Diário e Memórias

      Cadernos de Lanzarote (I-V), 1994
      As Pequenas Memórias, 2006
      Último Caderno de Lanzarote, 2018


 Cadernos de Lanzarote

 

Poesia

      Os Poemas Possíveis, 1966
      Provavelmente Alegria, 1970

 

Infantil

      A Maior Flor do Mundo, 2001
      O Silêncio da Água, 2011
      O Lagarto, 2016


Obras para a infância


 Viagens

      Viagem a Portugal, 1983

 

José Saramago começa a sua vida literária na /com editora Caminho, onde publica até 2014 a quase totalidade da sua obra.  A partir desta data a obra passou a ter a chancela da Porto Editora. As novas capas são assinadas por personalidades do mundo cultural português. Cada uma delas escreveu pelo próprio punho o título das obras – o trabalho gráfico ficou a cargo do atelier Silvadesigners. Cada convidado recebeu um kit com um marcador de cor preta e folhas A3 onde pode caligrafar o título atribuído. 

Obras de José Saramago

 

 

José Saramago é o único português que, até hoje, recebeu o Prémio Nobel da Literatura (1998)

 

Leia o discurso pronunciado na Academia Sueca, em Estocolmo no dia 7 de dezembro de 1998.

  

Discurso de José Saramago na entrega do prémio Nobel da Literatura (1998)

 

 

“Criador de histórias fantásticas, José Saramago construiu grandes metáforas para questionar o mundo. Nesta sua maneira de contar, marcada pela singularidade da sua escrita sem pontuação, "transparece o seu modo de ser e de pensar". E os seus livros contam-nos um Saramago humanista, poético, interventivo, provocador. Ateu convicto que confrontou Deus na literatura, suscitando polémicas e ódios. Aqui o recordamos a refletir sobre alguns destes temas. “Acompanhe o depoimento de José Saramago sobre os seus livros, na RTPEnsina.

 

 RTP Ensina - Clique para ver

 

“Quando uma ideia puxou outra, dizemos que houve associação delas, não falta mesmo quem seja de opinião que o processo mental humano decorre dessa sucessivamente estimulação, muitas vezes inconsciente, outras nem tanto, outras compulsiva, outra agindo em fingimento de que o é para poder ser adjunção diferente, inversa quando calha, enfim, relações que são muitas, mas entre si ligadas pela espécie  que juntas constituem e parte do que latamente se denominará comércio e industria dos pensamentos.“

in O Ano da Morte de Ricardo Reis

 

 

 RTP Ensina - Clique para ver


Memorial do Convento (1982) cruza ficção e não ficção, figuras históricas com personagens inventadas. Está convidado a assistir ao documentário da RTP Ensina.

 

“É extraordinário como se formam um homem e uma mulher, indiferentes, lá dentro do seu ovo, ao mundo de fora e, contudo, com este mundo mesmo se virão defrontar, como rei ou soldado, como frade ou assassino, como inglesa em Barbadas ou sentenciada no Rossio, alguma coisa sempre, que tudo nunca pode ser, e nada menos ainda. Porque, enfim, podemos fugir de tudo, não de nós próprios.”

in Memorial do Convento

 

 

 

Curta-metragem de animação baseada no livro «A Maior Flor do Mundo», de José Saramago | de Juan Pablo Etcheverry | música de Emilio Aragón.

 

  Saramago em Revista(s)

    Revista Colóquio/Letras“Ao ser galardoado, em 1998, com o Prémio Nobel da Literatura, José Saramago viu reconhecida, a nível mundial, a importância tanto literária quanto humanística de uma obra persistentemente construída ao longo de cinquenta anos.

No sentido de dar a conhecer o autor e o seu trabalho em toda a sua extensão e continuidade, muito para lá dos romances mais célebres, a revista Colóquio/Letras decidiu editar este número monográfico, delineado pela Profª Maria Alzira Seixo, reconhecidamente a maior especialista no autor.

Pretendendo ser uma panorâmica rigorosa e detalhada, com vasto número de colaboradores portugueses e estrangeiros, o volume apresenta documentação variada e dois importantes inéditos: um conto e o caderno de apontamentos tomados pelo escritor para a composição de A Jangada de Pedra. Por outro lado, à reprodução de fotografias reunidas em dois pequenos álbuns, junta-se uma espécie de diário íntimo e ilustrado dos dias do Nobel da autoria de Pilar del Rio, mulher do escritor. (…)”

 

 

 Revista Expresso

   "Agora que a nação, com presunção e raivas, estende a passadeira vermelha e entoa a ode triunfal, o homem, cansado, terá tempo de parar e pensar o significado destas palavras: Prémio Nobel da Literatura. O lugar do escritor é a língua em que escreve, mesmo na terra de outro idioma; um quarto que seja seu, onde possa conservar com a alma. Este prémio não é de todos nós, é de José Saramago, da linguagem que inventou e da língua em que o fez.” 

Um texto de Clara Ferreira Alves

 

 

 

 Revista LER

   “Eu poderia ser felicíssimo como homem e ter uma pouca sorte danada como escritor. No meu caso, sinto-me em paz com o meu trabalho, sei o que quero fazer e julgo que faço aquilo que quero. Uma obra que se pensa fazer é sempre um destino que se inicia. Mas os livros não me têm decepcionado. Como homem posso dizer de mesmo que sou um homem feliz.”

“Quais são os seis autores preferidos? – Montaige, Cervantes, o Padre António Vieira, Gogol e Kafka.“

 

 

  

Revista LER   “Eu sei que aquilo que escrevo já foi escrito antes, como tudo o que hoje fazemos, salvo raras excepções, já foi feito há muito tempo, antes de nós. Tudo é assim, na vida. Na literatura também. “

 

“Em Março de 1997, José Saramago deu uma conferência na Universidade Johann Wolfgang Goethe, em Frankfurt – onfr ensinaram Theodor Adorno, Max Horkheimer ou Jurgen Habermas. Um ano antes de ser distinguido com o Nobel da Literatura, falou da ideia de autor, da relação entre autor e narrador, e do conceito de narrador como personagem.”

“Que fazemos, em geral, nós, os que escrevemos? Contamos histórias. Contam histórias os romancistas, contam histórias os dramaturgos, contam histórias os poetas, contam-nas igualmente aqueles que não são, e não virão a ser nunca poetas, dramaturgos ou romancistas. Mesmo o simples pensar e o simples falar quotidiano são já uma história. As palavras proferidas, ou apenas pensadas, desde o levantar da cama, pela manhã, até ao regresso a ela, chegada a noite, sem esquecer as do sonho e as que ao sonho tentaram descrever, constituem uma história com uma coerência própria, contínua ou fragmentada, e poderão, como tal, em qualquer momento, ser organizadas e articuladas em história escrita. (…) o autor está no livro, o autor é todo o livro, mesmo quando o livro não consiga ser todo o autor.“

 

 José Saramago

 

Às vezes acontece ser o amor tanto que se dirá não caber ele dentro da pele, na carne, no sangue, nos ossos, na alma que dizem lá estar. Então, descobrimos, contra o ensino dos mitos, que somos nós, e só nós, afinal, em corpo inteiro e alma acompanhante, a morada do amor.”

in Deste mundo e do Outro

 

  

Casa de José Saramago

 

Localizada no município de Tías, em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, A Casa foi o refúgio do casal Saramago e Pilar del Río, entre 1993 e 2010, ano de falecimento do escritor português.

Faça uma visita à casa-museu José Saramago.

 

  

José e Pilar (Miguel Gonçalves Mendes, 2010)

 

 

Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.

Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.
 

Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.
 

Os Poemas Possíveis (1973)

 

 

«Canções Possíveis», poemas de José Saramago, música de Paula Oliveira


“A vida está cheia de pequenos acontecimentos que parecem ter pouca importância, outros há que uns certos momentos ocuparam a atenção toda, e quando mais tarde, à luz das suas consequências, os reapreciamos, vê-se que destes esmoreceu a lembrança, ao passo que aqueles ganharam título de facto decisivo ou, pelo menos, malha de ligação duma cadeira sucessiva e significativa de eventos.”

in A Jangada de Pedra

 

 

Clique para assistir 

José Saramago, uma vida de resistência.

Documentário sobre José Saramago, da série "BBC Profiles", por Julian Evans, em 2002.

 

 

“Quanto ao dever e ao fim da literatura, recordemos que os seus fins e os seus deveres foram diversos e nem sempre concordantes ao longo do tempo. Como não foram e muitas vezes foram opostos os deveres e os fins das sociedades humanas, de que a literatura é, ao mesmo tempo, reflector e reflexo.”

(…)

Continuarei a dizer que a literatura não muda o mundo, mas cada vez mais vou tendo razões para acreditar que a vida de uma pessoa pode ser transformada por um simples livro”

in Último Caderno de Lanzarote

 

 

 Herdeiros de Saramago

 Uma série documental da autoria de Carlos Vaz Marques e realização de Graça Castanheira que nos dá um retrato íntimo e afetivo de algumas das vozes mais destacadas na língua portuguesa.

 

 

Vhils homenageia José Saramago no dia que faria 98 anos.

Vhils homenageia José Saramago

 

 

Recordamos dois artigos sobre a obra do escritor José Saramago, publicados este ano no portal do PNL.

 

 O ano da morte de Ricardo Reis 

 

 

    Um livro, um Nobel - O ano da morte de Ricardo Reis

 

 

Com o mar por meio

 

 

     Um livro… epistolar. Ode à LÍNGUA PORTUGUESA

 

 

 

 

Veja outros "Um Autor por Mês".

 

Ver também:

Leituras Centenárias: Saramago na Escola

1.º Prémio ReadS 2021 - O Último Passeio de Ricardo Reis por Lisboa, de Alice Pereira 

Quantos Saramagos Queres? Testa os teus conhecimentos sobre José Saramago

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