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Um livro por semana
Um livro por semana
Um livro de cidades.
6.fevereiro.2021

 

As cidades invisíveis

 

«As Cidades Invisíveis apresentam-se como uma série de relatos de viagem que Marco Polo faz a Kublai Kan, imperador dos tártaros. [...] A este imperador melancólico, que percebeu que o seu poder ilimitado conta pouco num mundo que caminha em direção à ruína, um viajante visionário fala de cidades impossíveis, por exemplo, uma cidade microscópica que se expande, se expande até que termina formada por muitas cidades concêntricas em expansão, uma cidade teia de aranha suspensa sobre um abismo, ou uma cidade bidimensional como Moriana. [...] Creio que o livro não evoca apenas uma ideia atemporal de cidade, mas que desenvolve, ora implícita ora explicitamente, uma discussão sobre a cidade moderna. [...] Penso ter escrito algo como um último poema de amor às cidades, quando é cada vez mais difícil vivê-las como cidades.» - afirmou o escritor Italo Calvino a propósito do seu livro As Cidades Invisíveis (Dom Quixote, 2015), considerada uma das obras-primas da literatura do século XX.

 

 

Italo Calvino

 

 

“Italo Calvino nasceu nos arredores de Havana (Cuba), a 15 de outubro de 1923. Passou praticamente toda a sua vida em Itália, excetuando os treze anos em que viveu em Paris. Faleceu em Siena, a 19 de setembro de 1985. Calvino estudou em San Remo até aos 20 anos, ingressando então na Resistência contra o fascismo e a ocupação nazi, depois de aderir ao Partido Comunista, que abandonou em 1957. Terminada a Segunda Guerra Mundial, instalou-se em Turim, começando a trabalhar na Einaudi, que depressa se transformou numa das principais editoras italianas do pós-guerra. Já trabalhava na Einaudi (onde desempenhou um importantíssimo papel como consultor literário) quando concluiu a sua licenciatura em Letras. Com O Atalho dos Ninhos de Aranha (1947) deu início a uma surpreendente carreira literária, que viria a consagrá-lo como um dos maiores escritores italianos do século XX. “(in Wook)

 

  

O ator Caco Ciocler lê excertos de "Cidades Invisíveis", de Italo Calvino

 

“O homem que viaja e não conhece a cidade e que o espera ao longo do caminho, pergunta-se como será o palácio real, o quartel, o moinho, o teatro, o bazar. Em todas as  cidades do império cada um dos edifícios é diferente e disposto segundo uma diferente ordem: mas assim que o forasteiro chega à cidade desconhecida e lança os olhares para o meio daquela pilha de pagodes e trapeiras e celeiros, seguindo os gatafunhos de canais hortas lixeiras, distingue logo quais  são os palácios dos príncipes, quais  os templos dos grandes sacerdotes, a estalagem, a prisão, a judiaria. Assim – há quem diga – confirma-se a hipótese de que cada homem traz na mente uma cidade  feita só de diferenças, uma cidade sem figuras e sem forma, e são as cidades particulares que a preenchem.” In  As Cidades Invísiveis

 

 As cidades invisíveis

O escritor Nuno Camarneiro fala-nos do impacto que a leitura do livro As Cidades Invisiveis  teve na sua  juventude. Veja o depoimento na RTPensina.

 

“Em Esmeraldina, cidade aquática, sobrepõem-se e cruzam-se um reticulado de canais e um reticulado de ruas. Para ir de um sítio a outro há sempre a opção entre o percurso terrestre e o de barco: e como uma linha mais curta entre dois pontos em Esmeraldina não é a recta mas sim uma ziguezague que se ramifica  em tortuosas  variantes, as ruas que se abrem a cada transeunte não são apenas duas mas muitas, e ainda aumentam mais para quem alterar  trajectos de barco com os transbordos em terra firme.“ In  As Cidades Invísiveis

 

 Ilustração de As cidades invisíveis

 

 A arquiteta peruana Karina Puente tem um projeto pessoal: ilustrar cada cidade invisível de Italo Calvino. Conheça algumas das cidades ilustradas.

 

  

As cidades invisíveis

Conheça As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino, desenhadas pela artista norteamericana Nora Sturges.

 

“Olinda não é certamente a única cidade a crescer em circulos concêntricos,  como os troncos das árvores que todos os anos aumentam uma volta. Mas nas outras cidades permanece bem no meio o velho círculo das muralhas bem estreito, de que sobressaem ressequidos os campanários as torres os telhados de telha chata as cúpulas, enquanto os bairros novos se dilatam como que à volta de um cinto que se desaperta. Em Olinda não: as velhas muralhas dilatam-se levando consigo os bairros antigos, ampliados mantendo as proporções num horizonte mais vasto nos confins da cidade; circundam os bairros  um pouco menos antigos, embora aumentando de perímetro e adelgaçados para dar aos mais recentes que fazem pressão a partir de dentro; e assim por diante até ao coração da cidade: uma Olinda novinha que nas suas dimensões reduzidas conserva as feições e o fluxo de linfa da primeira Olinda e de todas as Olindas que saíram umas das outras ; e de dentro deste círculo mais interno já começaram a despontar - mas ainda é difícil distingui-las – a Olinda futura e as que crescerão a seguir.“ In  As Cidades Invísiveis


As cidades invisíveis

City #1: Fraboo: Otávia: a cidade teia de aranha



Cidades Invisíveis: quando literatura e arquitetura se encontram – uma reflexão da historiadora Eliana Rezende Bethancourt. 



Italo Calvino

  

Italo Calvino e “As Cidades Invisíveis” - um artigo divulgado no portal de Comunidade Cultura e Arte. 

 

 

Outros livros de Italo Calvino

Porquê ler os clássicos? Se numa noite de inverno um viajante O Barão Trepador O atalho dos ninhos de aranha

Os amores difíceis O castelo dos destinos cruzados Palomar Seis propostas para o próximo milénio

A especulação imobiliária Sobre o conto de fadas Todas as Cosmicómicas Orlando furioso

Um eremita em Paris A nuvem de Smog O Barão Trepador Um otimista na América

  

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