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Um livro por semana
Um livro por semana
Um livro para pensar a arte
5.dezembro.2020

 

Da Pintura

 

“Que a vida seja sonho foi uma evidência  que o imaginário barroco sublimou. Na sua obra,onde  sepultou conscientemente a vida que teve e a que não quis ter, Fernando Pessoa extremou o que já era extremo. A Calderón e Shakespeare acrescentou, por conta  própria, um suplemento de delírio minuciosamente controlado um suplemento de delírio minuciosamente  controlado que altera a essência da visão barroca convertendo-a  em pura  vertigem imóvel. Nela não se viaja  para parte  alguma mas imaginamos  todas as viagens, cada uma tão plausível  como as outras e nenhuma para qualquer espécie de porto ou fim!”

Vertigem imóvel – sobre uma exposição impossível. In Da Pintura

 

“A arte não existe para impedir o mundo de passar, mas para transfigurar o mundo que passa, para dar ao mundo que passa a face da nossa esperança que não passa.“

A arte e o mundo. In Da Pintura

 

 

Eduardo Lourenço


Eduardo Lourenço de Faria nasce a 23 de maio de 1923, em S. Pedro do Rio Seco (Almeida - Guarda), filho de Abílio de Faria e de Maria de Jesus Lourenço.

Pensa entrar na Escola do Exército, mas desiste dos cursos preparatórios militares na Faculdade de Ciências e presta provas de aptidão à Licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas, tendo sido admitido, em 1941.

A 23 de julho de 1946 conclui, com 18 valores, a licenciatura de Ciências Histórico-Filosóficas defendendo a tese intitulada O Idealismo Absoluto de Hegel ou O Segredo da Dialéctica. Em 1947, é convidado, pelo Prof. Joaquim de Carvalho, para Assistente do Curso de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Com uma bolsa de Estágio da Fundação Fullbright e a convite do Reitor da Faculdade de Letras da Universidade de Bordéus, parte para França, em 1949, a fim de colaborar no “Corpus des Philosophes Français” na reedição de parte da obra de Malebranche relativa às polémicas com Arnauld. Conhece Annie Salomon, com quem viria a casar-se, então estudante no Instituto Hispânico da mesma Universidade.

Eduardo Lourenço de Faria reconhecido professor, ensaísta, crítico literário e filósofo recebeu diversos prémios e condecorações, incluindo o Prémio Camões em 1996 e em 2011 o Prémio Pessoa.

 

O Centro Nacional de Cultura organizou um portal onde reúne os momentos ímpares da vida e obra de Eduardo Lourenço.


 

Depoimento do Professor Eduardo Lourenço para o PNL

 

“Ver é ser visto. Por quem? Por tudo. Como se as coisas tivessem um girassol no meio. Mesmo as mais opacas. Sem isso não veríamos nada. Nós não somos o sol. Apenas um olhar onde, pela meditação das coisas, tudo se torna solar. Até a noite.   É esta luz inclusa nas coisas o que um poeta da câmara mágica nos dá a ver. Como se precisássemos da duplicação, da imagem, para ver o que sem ela é só mancha e caos.”

Ver é ser visto. In Da Pintura

 

 

O Labirinto da Saudade


 O labirinto da saudade

 

 

O labirinto da saudade

 

O Labirinto da Saudade – Psicanálise Mítica do Destino Português” de Eduardo Lourenço (1978) é uma das obras fundamentais do século XX sobre a nossa identidade, afirmou Guilherme d’Oliveira Martins. Leia o artigo completo em Centro Nacional de Cultura.

 

 

Eduardo Lourenço 

 

 

“A Arte não é feita da Irrealidade do Mundo (ou da irrealidade), mas da distância entre nós mesmos e a máxima Realidade do mesmo mundo. Na Nona Sinfonia ou na Guerra e Paz nós colhemos ao mesmo tempo um máximo de Realidade ( como se a Vida com os seus dedos de fogo nos tocasse os olhos) e um máximo de Melancolia ( de Distância) pois essa Realidade de Fogo nós a aproximamos ou ela se aproxima  de nós  sem que nós a sejamos. E mesmo, nem a Sinfonia nem o Livro a são. O que é esse mar de violentas lágrimas do primeiro movimento da Nona Sinfonia ou o mar sentimental e histórico de Natacha senão o ritmo mesmo da nossa existência consciente num grau intolerável da sua substância Finita?”

A Arte. In Da Pintura

 

Numa entrevista a Nuno Grande, Eduardo Lourenço discorre sobre Portugal e os portugueses, os primeiros universalistas do mundo moderno, leia aqui.

 

Estou Em Dívida Para Com A Humanidade Inteira” – entrevista a Eduardo Lourenço por Carlos Vaz Marques, in revista LER nº 72, Setembro de 2008.

 

Biblioteca Municipal Eduardo Loureço, Guarda 

Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço | Guarda

 

«Quando um livro é para quem lê como uma árvore, o sol ou um rio, quer dizer, quando não se sabe que se está em face de um livro mas da natureza inteira, ou de uma parte dela que reenvia (?) à totalidade, então o acto que se cumpre nele é o que se assemelha mais a uma leitura. A sublime inocência, dessa leitura significa que quem lê é então tudo, salvo um leitor. Um leitor é semelhante a um anjo expulso do «verde paraíso dos amores infantis», é um pobre adulto para quem o Messias já passou.

Ler é ser lido a partir de um texto que de todos os lados nos inunda e nos submerge preservando sobre a vaga que nos fascina um esplendor imóvel como do mar. Uma leitura assim é a da Infância imersa no glorioso tumulto da aventura lida, do adolescente prisioneiro de irreais melancolias, do adulto fascinado pelo que está escrito e não tem nome.»

EDUARDO LOURENÇO (Almeida, 1923-2020). Manuscrito do autor na Biblioteca Municipal da Guarda.

 

Foram muitos os Prémios que distinguiram a obra e a pessoa de Eduardo Lourenço, conheça-os todos aqui.

 

Eduardo Lourenço

 

 Heterodoxia

 

“Escrevendo Heterodoxia, o meu propósito era em certos termos, muito claro, na medida em que queria demarcar uma atitude. Um domínio, um território. Que me pusesse fora dos campos delimitados por qualquer ortodoxia, de qualquer género que fosse. Tinha, pelo menos, esse significado negativo”

 Eduardo Lourenço, In Expresso, 16/1/1988

 

“A literatura não faz mais do que reflectir em símbolos perduráveis a arquitectura de um capitalismo ébrio dos seus sucessos parciais, mas desinteressado da finalidade humana da sua aventura.  O não-sentido da organização da economia capitalista, ou o sentido de uma organização oposta cujo “controle” escapa aos servidores dessa mesma economia, provocam na consciência  de muitos  homens o sentimento de uma idêntica e irredutível  estranheza do mundo em que vivem.
Esse mundo é um mundo humano e, todavia, os responsáveis por ele são invisíveis.”

Eduardo Lourenço. Heterodoxia (1987). Lisboa: Assírio e Alvim.

 

 

Revisitar a obra de Eduardo Lourenço é essencial para compreender o que é ser português. Aceite o desafio das Bibliotecas Municipais do Porto.

 

 

“Não é possível elaborar bibliografias de e sobre Eduardo Lourenço. Provam-no as muitas e variadíssimas que estão feitas e publicadas e que o leitor atento certamente conhece. Coisa bem diferente, e porventura inalcançável, será estabelecer a lista completa ou definitiva dos textos que Eduardo Lourenço escreveu ou mesmo publicou até hoje. Há sempre um artigo que falta ou uma outra entrevista que, entretanto, surge, vinda não se sabe muito bem de onde.” - Afirma Tiago Pedroso de Lima, a propósito da Obra de Eduardo Lourenço. Saiba mais aqui.

 

Outros livros de Eduardo Lourenço

O labirinto da saudade O canto do signo Tempo da música Fernando Rei da nossa Baviera

O esplendor do caos O espelho imaginário Tempo e Poesia Heterodoxia

Heterodoxia II Crónicas quase marcianas Do colonialismo como nosso impensado As saias de Elvira

A esquerda na encruzilhada Antero O lugar do anjo Nós e a Europa


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