Página Inicial > Leituras > Um livro por semana > Um livro por semana

Um livro por semana
Um livro por semana
Um livro… também é património.
30.janeiro.2021

Património Cultural - Realidade viva

 

“Quando falamos de património cultural, pensamos falar de coisas do passado, perdidas num canto recôndito da memória colectiva. Puro engano! O património cultural é um tema do presente, apela a todos e projecta‑se no futuro. Testemunha e expressa valores, crenças e saberes em contínua evolução e mudança. Envolve memória histórica e criação contemporânea: o que é material e construído, o que é imaterial (tradições e vivências), o que diz respeito à natureza e às paisagens, às áreas urbanas e aos jardins históricos, bem como o que se reporta às ciências e tecnologias.

Neste ensaio, Guilherme d’Oliveira Martins apresenta este conceito novo, alargado e transversal, de património cultural. Centra‑o nas expressões de valores que põem em contacto a História e a existência individual, a razão e a emoção, e que constituem a matéria‑prima de uma cultura de contacto e de paz. Ter memória, diz‑nos, é respeitarmo‑nos, através da defesa, da protecção e da preservação do que é de sempre.” (sinopse disponibilizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos).


Guilherme d'Oliveira Martins



Guilherme d’Oliveira Martins é ensaísta, professor universitário e administrador executivo da Fundação Calouste Gulbenkian. Foi presidente do Centro Nacional de Cultura (2002–2016), coordenou em Portugal o Ano Europeu do Património Cultural (2018) e presidiu no Conselho da Europa à redação da Convenção de Faro sobre o valor do Património Cultural na Sociedade Contemporânea (2005). Foi deputado independente à Assembleia da República durante sete legislaturas, Secretário de Estado da Administração Educativa (1995–1999), ministro da Educação (1999–2000), ministro da Presidência e das Finanças (2000–2001) e presidente do Tribunal de Contas (2006–2015).

 

 Para conhecer  melhor o currículo e a bibliografia de Guilherme d’Oliveira Martins.

 

Vídeo promocional do Ensaio "Património cultural: Realidade viva", de Guilherme d'Oliveira Martins

 

“Importa deixar claro que, desde as suas origens, o conceito cultural de património se apresenta mais fecundo e dinâmico, e não centrado no passado. Etimologicamnete, “património” tem a sua origem em duas palavras latinas, patres e munus, que significam “pais” e “serviço”, ou seja, trata-se de uma ação posta ao serviço do que recebemos dos nossos pais. Desde o início dos anos 30, entrou-se num momento de viragem no tocante ao reconhecimento da importância do dever de proteger o património como elemento crucial da vida cultural. Estamos perante a capacidade criadora da humanidade perante a natureza – daí  a etimologia baseada no verbo latino colo, colis, colere, colui, cultum, que significa “cultivar” e “cuidar”, que se aplica quer no cultivar dos campos (agricultura) quer no cultivar do espírito (cultura)." (pág. 18)

 

  

Apresentação do Ensaio "Património cultural: Realidade viva", de Guilherme d'Oliveira Martins

  

“Muitas pessoas têm perguntado por que razão Portugal foi dos países que mais iniciativas teve no âmbito do Ano Europeu do Património Cultural (2018). A melhor resposta, julgo ser a de que tal se deveu ao envolvimento das escolas, designadamente da Rede de Bibliotecas Escolares, nas celebrações. Está demonstrado que a qualidade das aprendizagens melhora  significativamente quando existe uma integração exigente da leitura  no sentido da transformação da informação em conhecimento, e do conhecimento em sabedoria. O incentivo à leitura e a criação de centros vivos de diãlogo, de debate e de reflexão são fundamentais;  e as bibliotecas devem ser polos de encontro entre diversas áreas e formações. Falando de patrimõnio cultural, vimos como as escolas se entusiasmaram com a escolha de um monumento ou de uma tradição, de um templo ou de uma especialidade gastronómica, conhecidos e próximos, mas também existentes noutro país, uma vez que a cultura ou é aberta e disponível, ou torna-se fechada e decadente." (pág. 31)

 

  

Guilherme D'Oliveira Martins | Correntes D'Escritas | Póvoa de Varzim | 2019

 

 

“Quando falamos de respeito mútuo entre culturas e das diversas expressões da criatividade e da tradição, estamos a considerar o valor que a sociedade atribui ao seu património cultural e histórico ou à sua memória como fator fundamental para evitar  e prevenir o “choque de civilizaçóes”, mas, mais do que isso, para criar bases de entreajuda e de entendimento. (…)

E não esqueçamos o contributo do património cultural para a sociedade e o desenvolvimento humano, no sentido de incentivar o diálogo intercultural, o respeito mútuo e a paz, a melhoria da qualidade de vida e a adoção  de critérios de uso durável dos recursos culturais do território. (…) Para entender a memória e o património cultural, invoquemos  ainda uma afirmação que é muito citada, mas mal compreendida… Fernando Pessoa, através do semi-heterónimo Bernardo Soares, fala-nos da língua como pátria. (…) Soares  dá força à palavra. É o dominio da língua, das palavras e do respeito mútuo que está em causa. Afinal, dizer bem a língua e as suas palavras é um ato elementar de dignidade, de cidadania e de sede de compreensão e de sentido.” (pág. 8-10)

 

A VIDA DOS LIVROS é uma rubrica assinada por Guilherme d’Oliveira Martins, no blogue do Centro Nacional de Cultura.

 

O Bem, o Bom, o Belo, o Justo e o Verdadeiro são valores aos quais não podemos ser indiferentes – são palavras de Guilherme d’Oliveira Martins na  entrevista dada à Imprensa Nacional.

 

 

Outros livros do autor

Ao encontro da História O essencial sobre O Diário da República Portugal - Identidade e Diferença Na senda de Fernão Mendes

  

Veja outros "Um Livro por Semana"

ENTRELER
Revista digital, anual, livre e gratuita, sobre leitura, escrita e literacias.