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Um livro por semana
Um livro por semana
Um livro…um livro de abril.
24.abril.2021

 

Os memoráveis

 

"O que é memorável não é o que ficou enterrado no passado; memorável é o que do passado se recolhe e se pode projetar no futuro".

Lídia Jorge

 

 

“Estamos perante um romance que ultrapassa  em muito a invocação  de um acontecimento histórico, a revolução democrática portuguesa de 1974, já  que se trata de uma reflexão atual sobre a liberdade, a resistência e a esperança. Ao longo do livro, encontramos o ceticismo e a vontade, a dúvida e o empenhamento, mas sobretudo a imperfeição natural das sociedades humanas, que não podem ser aprisionadas pela indiferença ou mesmo pela utopia …(…)
A obra ajuda-nos a compreender o Portugal de hoje. Com preocupações de agora, vemos que um acontecimento como o 25 de abril de 1974 não se resume a uma ocorrência pretérita, porque a liberdade e a democracia são presentes e sempre inacabadas.(…)
As personagens de Os Memoráveis recriam o que foi a euforia revolucionária e a desilusão que sempre se segue a um período de entusiasmo, no caminho sempre difícil, de avanços e recuos, para a emancipação.”

Prefácio. Compreender Portugal escrito por Guilherme d’Oliveira Martins, in Os Memoráveis ( 2018). Leya, coleção Livros RTP

  

 

Livros RTP - «Os Memoráveis» de Lídia Jorge

 

“Em 2004, Ana Maria Machado, repórter portuguesa em Washington, é convidada a fazer um documentário sobre a Revolução de 1974, considerada pelo embaixador americano à época em Lisboa como um raro momento da História. Aceite o trabalho, regressa, contrata dois antigos colegas, e os três jovens visitam e entrevistam vários intervenientes e testemunhas do golpe de Estado, revisitando os mitos da Revolução. Um percurso que permite surpreender o efeito da passagem do tempo não só sobre esses “heróis”, como também sobre a sociedade portuguesa, na sua grandeza e nas suas misérias.
Transfiguradas, como se fossem figuras sobreviventes de um tempo já inalcançável, as personagens de Os Memoráveis tentam recriar o que foi a ilusão revolucionária, a desilusão de muitos dos participantes e o árduo caminho para uma Democracia.
Paralela a esta ação decorre uma outra, pessoal e íntima: a história do pai da protagonista, António Machado, que retrata em privado o destino que se abate sobre todos os outros. Todos vivem na Democracia, uma espécie de lugar de exílio. Mas um dia, todas as misérias serão esquecidas, quando se relatar o tempo dos memoráveis.”

Sinopse in Leya online

 

 

 

 

 “Eu própria simulei estar esquecida. O anfitrião ficou suspenso. Perguntou - «Pois como se chamavam as flores»
Sim, aquelas flores vermelhas?
Nenhum de nós se lembrava. Era inacreditável que os três soubéssemos que as páginas da pétala dessa flores eram dentadas, uma unha longa em pecíolo forte, que tinham sido oferecidas pelas floristas logo pela manhã do próprio dia vinte e cinco, quando os insurrectos galgavam a Baixa, até o Bob sabia do caso, sabia que começava por ser a oferta de uma verdadeira quando a coluna sublevada fazia a volta em torno de uma praça, até ele sabia, e no entanto, nenhum de nós se lembrava do nome da flor.“

in Os Memoráveis

 


 Rádio Clube Português - O Primeiro Comunicado do M.F.A. por Joaquim Furtado

 

“Por aquela porta tinham os oito oficiais entrado para tomarem de asslto o Rádio Clube, e o que estava escrito na porta? Nada. Os nomes daqueles que tinham entrado? Não existiam . Os nomes daqueles que no seu interior tinham lido os comunicados? Ninguém os conhecia. A fotografia dos soldados que haviam ocupado a Rua Sampaio Pina, e dos comandos que haviam prendido polícias, guardas, legionários, figuras fiéis ao regime que estava ser deposto? Nada de nada. Ninguém conhecia o rosto desses comandos. Faltavam fotografias, nomes, legendas, setas que indicassem quem havia participado no esforço da grande viragem. “

in Os Memoráveis



Os memoráveis


“Os filhos das minhas amigas  que vivem nas Torres das Amoreiras, quando necessário, referem-se àquela  data com todo o respeito, e até põem cravos no peito em honra, mas  ao longo de todo o ano vivem como se a data  não tivesse existido, (…). Só falta mesmo dizeres, como é teu costume, que te enganaste, que a canção que vocês gravaram na fita  não foi Grândola, Vila Morena, mas Ora Zumba na Caneca.“

in Os Memoráveis

 

 

Lídia Jorge

 

 

“Romancista e contista portuguesa. Nasceu em 1946, no Algarve. Viveu os anos mais conturbados da Guerra Colonial em África. Foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social. É professora do ensino secundário e publica regularmente artigos na imprensa. O tema da mulher e da sua solidão é uma preocupação central da obra de Lídia Jorge, como, por exemplo, em Notícia da Cidade Silvestre (1984) e A Costa dos Murmúrios (1988). O Dia dos Prodigíos (1979), outro romance de relevo, encerra uma grande capacidade inventiva, retratando o marasmo e a desadaptação de uma pequena aldeia algarvia. O Vento Assobiando nas Gruas (2002) é mais um romance da autora e aborda a relação entre uma mulher branca com um homem africano e o seu comportamento perante uma sociedade de contrastes.  (…).”

In Wook

 

Conheça a página pessoal da escritora Lídia Jorge

 

Muitos foram os Prémios atribuídos à escritora Lídia Jorge:

Prémio Malheiro Dias, Academia das Ciências de Lisboa (1981)

Prémio Literário Cidade de Lisboa (1982 e 1984)

Prémio D. Dinis, Fundação Casa de Mateus (1998)

Prémio Bordallo de Literatura da Casa da Imprensa (1998)

Prémio Máxima de Literatura (1998)

Prémio de Ficção do P.E.N. Clube Português (1998)

Prémio Jean Monet de Literatura Europeia, Escritor Europeu do Ano (2000)

Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores (2002)

Prémio Correntes d’Escritas (2002)

Albatroz, Prémio Internacional de Literatura da Fundação Günter Grass (2006)

Grande Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores, Millenium BCP (2007)

Premio Speciale Giuseppe Acerbi, Scrittura Femmenile (2007)

Prémio Michel Brisset, atribuído pela Associação dos Psiquiatras Franceses (2008)

Prémio da Latinidade, João Neves da Fontoura, União Latina (2011)

Prémio Luso-Espanhol de Arte e Cultura (2014)

Prémio Vergílio Ferreira (2015)

Prémio Urbano Tavares Rodrigues (2015)

Grande Prémio de Literatura dst (2019)

Prémio Rosalía de Castro do Centro PEN Galiza (2020)

Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas de Guadalajara (2020)

 

Os Memoráveis – um artigo na Revista Pessoa.

 

O júri do Prémio da Feira Internacional do Livro de Guadalajara distinguiu a carreira literária de Lídia Jorge, realçando a sua “originalidade e subtileza de estilo”, a independência da sua obra e a “imensa humanidade” da escritora portuguesa. - conheça o artigo sobre o valor da obra de Lídia Jorge, no portal de Centro Nacional de Cultura.


 

Primeira Pessoa com Lídia Jorge | RTP

 


Outros livros de Lídia Jorge

 O vale da paixão     A costa dos murmúrios     Marido e outros contos 

 Estuário     O vento assobiando nas gruas     Em todos os sentidos

 A instrumentalina     Combateremos a sombra     A noite das mulheres cantoras 

      O grande voo do pardal     Romance do grande gatão 

 

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