Página Inicial > Leituras > Um livro por semana > Um livro por semana

Um livro por semana
Um livro por semana
Um livro… uma declaração sublime aos livros.
16.janeiro.2021

 

O infinito num junco

 

“Nesta história tempestuosa os livros também têm um papel importante. Quando Marco António julgava estar prestes a governar o mundo, quis deslumbrar Cleópatra com um presente. Sabia que o ouro, as joias ou os banquetes não conseguiriam acender uma luz de assombro nos olhos da sua amante, porque ela se tinha habituado a esbanjá-los diariamente. Certa vez, durante uma madrugada alcoólica, num gesto de ostentação provocadora, ela dissolveu uma pérola de tamanho fabuloso em vinagre e bebeu-a. Por isso, Marco António escolheu um presente do qual Cleópetra não poderia desdenhar com um ar aborrecido: pôs aos seus pés duzentos mil volumes para a Grande Bibloteca. Em Alexandria, os livros eram combustível para as paixões.”

  

 

 

“Em outubro a Bertrand Editora publicou «O Infinito Num Junco», de Irene Vallejo, o livro mais vendido em Espanha durante o confinamento, aclamado pela crítica espanhola e internacional. Esta é a primeira tradução da obra, estando já prevista a sua publicação em mais de 22 línguas diferentes. Este é um livro sobre a história dos livros, da palavra e da leitura. Das batalhas que se travaram (e ainda travam) por e com livros. Do papel mágico que estes objetos têm nas nossas vidas. Da sua evolução e das suas muitas formas ao longo dos séculos. Mas é sobretudo uma apaixonada declaração de amor à palavra escrita, à literatura e à leitura, às bibliotecas e às escolas; uma declaração de amor aos livros.

(…)

Ao longo das mais de 400 páginas, Irene Vallejo leva o leitor numa viagem pelo espaço e pelo tempo, uma viagem pela Grécia e Roma Antigas, pelas paredes repletas de papiros da Biblioteca de Alexandria, pelos palácios de Cleópatra, pelas primeiras livrarias conhecidas, pelas celas dos escribas, pelas fogueiras onde arderam os livros proibidos, pelos gulag, pela biblioteca de Sarajevo e por um labirinto subterrâneo em Oxford no ano 2000. E tudo isto com referências constantes ao presente, de Borges a Twain, de Cavafis a Bryce Echenique, de Canetti a Faulkner, de Auster e Pérez-Reverte a Vargas Llosa, de Tarantino a Scorsese.”

Editora Bertrand

 

Irene Vallejo

 

Irene Vallejo (Saragoça, 1979) é apaixonada pela mitologia grega e romana desde tenra idade. Estudou Filologia Clássica, doutorando-se nas universidades de Saragoça e Florença. É escritora, colunista do El País e do Heraldo de Aragón, palestrante e promotora de educação e do conhecimento sobre o mundo clássico. Partilha com os outros, diariamente, a sua paixão pelo mundo clássico, pelos livros e pela leitura.

  

Entrevista  a Irene Vallejo - Una declaración de amor a los libros.


“Falemos por um momento de si, que lê estas linhas. Neste momento, com o livro aberto entre as mãos, dedica-se a uma atividade misteriosa e inquietante, embora o hábito o impeça de se surpreender com aquilo que faz. Pense bem. Está em silêncio, a percorrer com o olhar filas de letras que fazem sentido para si e lhe comunicam ideias independentes do mundo que o rodeia neste momento. (…) Não pense que foi sempre assim. Desde os primeiros séculos da escrita à Idade Média, a norma era ler em voz alta, para si próprio ou para os outros, e os escritores pronunciavam as frases à medida que as escreviam ouvindo assim a sua musicalidade. Os livros não eram uma canção que se cantava com a mente, como agora, mas sim uma melodia que saltava para os lábios e soava em voz alta. O leitor convertia-se no intérprete que lhe emprestava as suas cordas vocais. (…) Quando se lia um livro costumava haver testemunhas. Eram frequentes as leituras em público, e os relatos que agradavam andavam de boca em boca."

 

 O infinito num junco

 A capa do livro O Infinito num Junco inspira porcelana (em cada peça há uma frase do livro, sempre diferente).

 

“Hoje assumimos que, à nossa volta, a imensa maioria das pessoas lê e escreve. Tal como a informática, a escrita foi no início um espaço dedicado apenas a alguns especialistas. Sucessivas simplificações permitiram que milhões de pessoas utilizassem essas ferramentas na sua vida quotidiana. Para esta progressão – que, no caso dos computadores, se verificou em apenas décadas -, foram necessários milhares de anos na história da escrita. A rapidez das mudanças não é um dos traços distintivos do passado remoto. (…) A arte da escrita teve, segundo as teorias mais recentes uma origem prática: as listas de propriedades. (…) A escrita veio resolver um problema de proprietários ricos e administradores palacianos, que precisavam de fazer anotações porque lhes era difícil organizar a contabilidade de forma oral.”

 

 

O infinito num junco

 

 

“A invenção dos livros foi talvez o maior triunfo na nossa tenaz luta contra a destruição. Confiámos aos juncos, à pele, aos farrapos, às arvores e à luz a sabedoria que não estávamos dispostos a perder. Com a sua ajuda, a humanidade viveu uma fabulosa aceleração da História, do desenvolvimento e do progresso. A gramática partilhada que os nossos mitos e os nossos conhecimentos nos proporcionaram multiplica as nossas possibilidades de cooperação, unindo leitores de diferentes partes do mundo e de gerações sucessivas ao longo dos séculos. Como afirma Stefan Zweig no memorável final de Mendel dos Livros: “Os livros escrevem-se para unir, por cima do próprio fôlego, os seres humanos, e assim defendermo-nos face ao inexorável reverso de toda a existência: a fugacidade e o esquecimento.”

 

 O infinito num junco

 

 

O Infinito num Junco é um livro muito premiado:

Prémio El Ojo Crítico de Narrativa

Prémio Las Librerías Recomiendan na categoria de não ficção

Prémio Acción Cívica para melhor obra de não ficção

Prémio Nacional d'Assaig 2020

Prémios de Novela Histórica Hislibris na categoria de não ficção

Prémio Búho para melhor livro

 

 

O que dizem acerca do livro O Infinito num Junco:

“Uma homenagem ao livro, de uma leitora apaixonada”

Alberto Manguel

 

“Muito bem escrito, com páginas realmente admiráveis… uma obra-prima”.

Mario Vargas Llosa

 

“O Infinito Num Junco é um ensaio que se lê como um romance, um livro sobre a Antiguidade que nos explica quem somos hoje.”

Pedro Rios, Jornal Público

 

“Os livros que nos desbravam, que nos domesticam, que nos impõem o seu ritmo de leitura, que nos dão cabo dos nervos, não se encontram facilmente entre as novidades nas livrarias e, contudo, são tão necessários. A mais recente destas descobertas que fiz intitula-se O Infinito Num Junco e é de Irene Vallejo”

Juan José Millás, El País

 

 

Daniel Innerarity e Irene Vallejo participam em Diálogos Literários da WMagazín, em dezembro 2020. Uma conversa sobre os seus últioas livros : O Infinito Num Junco ( Irene Vallejo, 2020)  e Política para perplexos (Daniel Innerarity. 2019) – ambos recomendados pelo Plano Nacional de Leitura.

  

 

 

Irene Vallejo reflecte sobre as origens e o destino do livro.  Um artigo  partilhado pelo Centro Nacional de Cultura.

 

A literatura no ano da peste: O triunfo da não-ficção – um artigo sobre o O Infinito Num Junco, de Diogo Vaz Pinto, no Jornal Sol.

 

 

Outros livros de Irene Vallejo

El Silbido del Arquero El pasado que te espera La luz sepultada Manifiesto por la lectura

  

Veja outros "Um Livro por Semana"

ENTRELER
Revista digital, anual, livre e gratuita, sobre leitura, escrita e literacias.