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Um livro por semana
Um livro por semana
Um livro em chamas
10.outubro.2020

 

Fahrenheit 451

 

Fahrenheit 451 é um romance distópico, escrito por Ray Bradbury e publicado pela primeira vez em 1953, nos Estados unidos da América.
O livro chegou a Portugal em 1956, pela editora Livros do Brasil com tradução do escritor Mário Henrique-Leiria.
Atualmente o livro está publicado em Portugal pela Saída de Emergência Editora.

 

 

(…)
-Queimámos mil livros. E queimámos uma  mulher.
-E então?
Da salinha vinha uma explosão de som.
-Queimámos livros de Dante, de Swift, de Marco Aurélio.
(…)
- Não estavas lá, não viste. Deve haver algo nos livros, coisas  que não conseguimos imaginar, para que uma mulher se deixe ficar assim numa casa em chamas. Deve haver algo neles. Não se faz uma coisa daquelas por nada.
(…)
- Um homem levou uma vida inteira a anotar os seus pensamentos, a observar o mundo e a vida, e depois chego eu e em dois minutos, zás! Tudo acabado. “

 

 Ray Bradbury

 

Ray Bradbury (Illinois, 1920 – Califórnia, 2012) é um dos mais influentes escritores norte-americanos do século XX e autor de mais de trinta obras de ficção, entre as quais se contam os célebres romances Fahrenheit 451, Crónicas Marcianas ou A Morte É um Acto Solitário, assim como centenas de contos. Escreveu igualmente para teatro, televisão e cinema, incluindo a famosa adaptação cinematográfica de John Huston do clássico Moby Dick.

Ao longo da sua carreira, obteve inúmeros prémios e distinções como a National Book Foundation's Medal for Distinguished Contribution to American Letters, em 2000, a National Medal of Arts, em 2004 e o Pulitzer Prize Special Citation, em 2007. A sua obra está publicada em mais de 45 países. (texto disponíbilizado pela Wook).

 

Descubra  tudo sobre Ray Bradbury na página sobre o autor.

 

 

Fahrenheit 451 foi adaptado ao cinema  por François Truffaut, em 1966. Foi muito aplaudido pela critica, um sucesso.

 

Cartaz do Filme

 

 

 

 

“- O que foi o perturbou? O que lhe fez cair o lança-chamas da mão?
- Não sei. Temos tudo o que precisamos para sermos felizes, mas não somos felizes. Há algo que falta. Olhai em volta. A única coisa que eu tinha a certeza absoluta que faltava eram os livros que eu tenho queimado nestes dez ou doze anos. Por isso pensei que talvez os livros pudesem ajudar-me.“

 

 

 

“ (…)Todos nós temos memórias  fotográficas, mas  passamos  uma vida inteira a aprender a bloquear tudo o que lá guardamos. Aqui o Simmons passou vinte anos a estudar o assunto e agora temos um método através do qual é possível desbloquear tudo o que tenha sido lido pelo menos uma vez. Gostaria  de ler um dia destes a República de Platão?
- Claro!
- Eu sou a República de Platão! Gostaria de ler Marco Aurélio? O Simmons é o seu Marco Aurélio.
-Prazer – cumprimentou- o Simmons.
- Igualmente – retorquiu Montag.
- Quero que conheça o Jonathan Swift, o autor daquele livrinho diabólico As Viagens de Gulliver! E este aqui é o Charles Darwin, e este é o Schopenhauer, este o Einstein, e este ao meu lado é o Sr. Albert Schweitzer, um filósofo  assaz dedicado. E aqui estamos todos, Montag. Aristófanes, Mahatma, Gandhi, Gautama Buddha, Confúncio, Thomas Love Peacock, Thomas Jefferson ou o Sr. Lincoln, como preferir. Também fazemos as vezes de mateus, Marcos, Lucas e João.
Todos riram.
- Não pode ser!...
- Mas é – responder Granger, ainda a sorrir. – Somos  queimadores de livros também. Lemos os livros  e queimamo-los, com receio  de que possma ser descobertos.Microfilmá-los não resultou: estávamos sempre a ir de um lado para o outro, não queríamos esconder o filme e voltar a procurá-lo quando regressássemos. E havia sempre a possibilidade de que fosse descoberto também. Era melhor guaradra tudo nas nossas cabeças, onde ninguém consegue aceder facilmente.” 

 

Em 2018, Fahrenheit 451 foi novamente adaptado ao cinema sob direção de Ramin Bahran.

 

 

 

“– Minhas senhoras – disse, numa voz tremida – uma vez por ano, todos os bombeiros são autorizados a levarem para  casa um livro antigo, para mostrarem às familias a parvoíce de tudo aquilo, para que vejam como os livros podem deixar as pessoas nervosas  e até loucas.”

 

Além do cinema, o texto de Ray Bradbury -  Fahrenheit 451 -  foi adptado ao  teatro pelo grupo Teatromosca.  Saiba mais aqui.

 

Fahrenheit 451 por Teatromosca

 

“– As pessoas de cor não gostam do Little Black Sambo. Queime-se. As pessoas brancas não se sentem bem com A Cabana do Pai Tomás. Queime-se. Alguém escreveu um livro acerca do efeito do tabaco no cancro dos pulmões? As tabaqueiras estão preocupadas? Queime-se o livro."

 

 

Why should you read “Fahrenheit 451”? - Saiba tudo na TED-Ed de Iseult Gillespie

 

The Guardian disponibilizou um artigo sobre Ray Bradbury por ocasião da sua morte.

 

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 Um cemitério para lunáticos O zen e a arte da escrita A morte é um acto solitário 

 Teremos sempre Paris Fahrenheit 451 Algo maligno vem aí 

 Cântico à humanidade A árvore de Halloween O homem ilustrado 


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