Página Inicial > Leituras

Um livro por semana
Um livro por semana
Um livro intimista

 

Em tudo havia beleza

 

“Se de algo me dei conta na vida foi que todos os homens e mulheres são uma única existência. Essa única existência terá  um dia  representação política e, nesse dia, daremos um passo em frente. Eu não o verei. Há tantas coisas que não verei e que estou a ver neste preciso momento. Sempre vi coisas.
Sempre os mortos falaram comigo.
Vi tantas coisas que o fututo acabou por falar comigo como se fossemos vizinhos ou amigos até.
Estou a falar desses seres, dos fantasmas, dos mortos, dos meus  pais mortos, do amor que senti, desse  amor que não se vai embora. Ninguém sabe o que é o amor.“

 

Em 1962, em Barbastro, no norte de Espanha, nasceu Manuel Vilas. Vive entre Madrid e Iowa City.
Escritor, poeta e jornalista. Atualmente é colaborador regular do jornal El País, bem como dos suplementos literários MagazineBabelia e ABC Cultural.

 

 

 

Em Tudo Havia Beleza [Ordesa]  (Alfaguara, 2019) comoveu milhares de leitores. Rapidamente se tornou um fenómeno literário. Em Espanha foram vendidos mais de cem mil exemplares, em  poucos meses, e traduzido em muitos países.
Os periódicos El País, La Vanguardia, El Mundo, El Correo  reconheceram-no como Livro do ano de 2018.

Em 2019 venceu o Prémio Femina Estrangeiro.
Leia a notícia no Jornal Público.

 

Parque Natural de Ordesa

 Parque Natural de Ordesa

“O meu pai adorava Ordesa. Porque em Ordesa, de repente, todas as insânias da vida morrem diante do esplendor das montanhas, das árvores e do rio. Procuro o lugar, com a lanterna da memória. (…) Vão passando carros. Farejo o caminho, como um cão de caça. Olho para as pedras.
É Ordesa.”

 

Em tudo havia beleza

 

Em Tudo Havia Beleza [Ordesa], Manuel Vilas com o intuito  de reflectir sobre a vida e desvendar os  seus mistérios, fala-nos de si e da sua família e das relações parentais.
No livro, a familia é apresentada com nomes de grandes músicos. O pai é Bach, a mãe é a Wagner, Vivaldi e Brahms são os nomes que dá aos filhos, Monteverdi e Händel são os tios maternos e Rachmaninov o tio, irmão do pai.

“Estava à procura da presença da minha mãe em todo o lado; não saíra da infância; tinha muito medo. A presença de quem? Chamo mãe ao mistério geral da vida. Mãe é a morte viva. Chamo mãe ao Ser. Sou alma primitiva. Se a minha mãe não estivesse lá, o mundo era hostil. Era por isso que bebia tanto e acabei por ter uma conduta sexual errante e promíscua.”
 


“O amarelo é um estado visual da alma. O amarelo é a cor que fala do passado, do desvanecimento de duas famílias, da penúria, que é o espaço moral a que te leva a pobreza, da dor de não ver os teus filhos, da queda de Espanha nos miasmas espanhóis, dos carros, das auto-estradas, das lembranças, das cidades em que vivi, dos hóteis onde dormi, o amarelo fala de tudo isso.
Amarelo é uma palavra sonora em espanhol.
“Penúria” é  outra palavra importante.
“Penúria” e “amarelo”  são duas palavras que vivem juntas, geminadas.“

 

“Na sua humana normalidade, Em Tudo Havia Beleza [Ordesa],  revela-se um relato de exceção”, afirma Luís Ricardo Duarte na Revista Visão.

 

“A força da literatura é falar das coisas de que ninguém quer falar”  - Jornal I.

 Outros livros de Manuel Vilas

E, de repente, a alegria El luminoso regalo Los inmortales Setecientos millones de rinocerontes