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Um livro por semana
Um livro por semana
Um livro com afetos

 

Abraço

 

“Escolho lugares  para pousar os pés entre os livros espalhados no chão. Olho para o relógio do microondas e são 03:17. No fim do momento em que olho para o relógio, o sete muda para oito e volto a olhar, porque me parece que talvez os minutos tenham começado a demorar menos do que um minuto. O tempo fica parado: 03:18. Sento-me aqui, à frente do computador, e escrevo palavras. Há vezes em que olho para estas palavras escritas como se estivesse diante  da janela um ciclone que destruísse os prédios, os carros estacionados  e as árvores. Agora é um dos momentos. Cada frase, exterior a mim, surge neste ecrã de luz para dizer-me aquilo que não sei. Escuto-as  e, se for  preciso, paro-me a olhá-las.  As palavras são bonitas  antes do seu significado. Depois de significarem, as palavras são como as pessoas, Podem ser tudo ao mesmo  tempo. Todas as palavras podem ser tudo ao mesmo tempo.”

Um mundo que não existe, in Abraço (2011). Lisboa: Quetzal

 

 

José Luís Peixoto apresenta Abraço

 

Abraço (Quetzal, 2011) é um conjunto de textos  publicados  entre os anos 2001 e 2011, em diferentes jornais e revistas, que nos falam da infância, do amor, das livrarias, dos livros e leituras, das viagens, da vida. Um livro intimista que abraça o leitor.

 

José Luís Peixoto

 

“José Luís Peixoto nasceu na aldeia de Galveias, no Alto Alentejo, onde viveu até aos 18 anos, idade em que foi estudar para a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Após terminar a sua licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, na variante de estudos ingleses e alemães, foi professor em várias escolas portuguesas e na Cidade da Praia, em Cabo Verde. Em 2001, dedicou-se profissionalmente à escrita. “

in joseluispeixoto.blogs.sapo.pt


José Luís Peixoto foi o mais jovem vencedor de sempre do Prémio Literário José Saramago.

  

 

José Luís Peixoto - "Os meus livros são rejeitados por editoras"

 

“Quando  leio, há uma voz  que lê dentro de mim. Paro o olhar que sobre o texto impresso, mas não acredito que  seja o meu olhar que lê. O meu olhar fica embaciado. É essa voz que lê. Quando é séria, ouço-a falar-me de assuntos sérios. Às vezes, sussura-me. Às vezes, grita-me. Essa voz não é a minha voz. Não é a voz que, em filmagens de festas de anos e de natais, vejo sair da minha boca, do movimento dos meus lábios, a voz  que estranho por, num rosto parecido com o meu, não me parece minha. A voz  que ouço quando leio  existe dentro de mim, mas não é a minha. Não é a voz dos meus pensamentos.“ 

 A voz que ouço quando leio, in Abraço (2011). Lisboa: Quetzal

 

 

 Conversas Confinadas - José Luís Peixoto é o convidado de Carlos Vaz Marques.

 

“Foi com ela que aprendi a cozer esparguete. Antes disso, não sabia. Já o comia, já conhecia os princípios teóricos da cozedura, podia até opinar acerca das minhas preferências de consumidor, mais cozido, menos cozido, mas havia várias zonas invisíveis na minha construção mental do processo.
(…)
Foi com ela que aprendi a organizar a minha biblioteca. Conhecia as sugestões de Perec, as ordens alfabéticas, geográficas e físicas, mas desconhecia a minha própria ordem. Tinha a noção errada de um mundo exterior a mim, que existia com independência de mim e que era feito de autores com nome e época. Nas prateleiras havia milhares de acções aleatórias a acontecerem dentro dos livros que ainda não tinha lido, sombras de espectros.  Ao mesmo tempo, também nas prateleiras, havia uma imensidão de pormenores nos livros que já tinha lido, mas que eram demasiado extensos e elaborados para um só cérebro, meu, eu. Uma casa cheia de livros era como uma cabeça confundida com memórias e atravessada por fantasias, impressões e conclusões baseadas nessa mistura. Ela disse-me: isto é, isto. E fez tanto sentido.
(…)
Foi com ela que aprendi a trabalhar com o Excel. Afinal, não se trata apenas de um labirinto de grelhas, que podem ser preenchidas para fazer quadros e apresentar em reuniões de prestação de contas. Há também a possibilidade de domar a álgebra, transformá-la num gatinho acabado de nascer, sequioso de festas feitas com a ponta do indicador.” 

As lições da professora, in Abraço (2011). Lisboa: Quetzal

 

 Blogue José Luís Peixoto

 

 José Luís Peixoto tem um novo blogue – Viagens para ler onde poderá ler na  íntegra um dos textos em Abraço - Texto para mim.

  

 

José Luís Peixoto em Manifesta-te pela Leitura

José Luís Peixoto participou na Manifesta-te pela Leitura, no Dia Mundial do Livro, 23 de abril de 2019, organizado pelo PNL, onde leu este magnífico texto:

 

"Ler é bom, ler faz bem. Grandes problemas do mundo já foram resolvidos pela leitura e é impossível contar o número incontável de problemas, grandes e pequenos, que já foram evitados pela leitura. Ler faz as árvores crescer sem qualquer adição de adubo, ler mantém a camada de ozono intacta, ler torna os dentes mais brancos. E, já que falamos em higiene oral, podemos acrescentar sem hesitações que ler previne as cáries, ler destrói o tártaro, ler fortalece o esmalte, enriquece os dentes em flúor e calibra os molares.

Ler fortalece os músculos das coxas e do abdómen de forma harmoniosa, sem recurso a comprimidos que debilitam o organismo. Ler faz perder até cinco centímetros de cintura em duas semanas, resultados garantidos.

Ler é aconselhável no combate à inveja e ao mau-olhado. Tem-se revelado eficaz em casos de amor, dinheiro, saúde, emprego, casar, engravidar, afastar, separar, trazer de volta, atrair clientes, vender imóvel, comprar carro e outros. Os resultados animadores da leitura não deixam dúvidas no que toca a obter paz, prosperidade, harmonia no lar, ajudar nos estudos, contra nervosismo e ansiedade, afastar pessoa indesejável, terminar uma obra, assinatura de papéis, transações financeiras, fraqueza, cansaço, debilidade mental, stress, falta de apetite sexual e outros.

Ler é refrescante e 100% natural. Não tem corantes, nem conservantes. Tem um complexo vitamínico (ácido fólico, niacina, ácido pantoténico, etc..), tem cálcio, ferro e pode ter vestígios de outras substâncias que, no entanto, serão demasiado ínfimos para que possam ser contabilizados. Ler faz crescer o cabelo e regredir a calvície. Ler apaga as rugas de expressão. Ler ajuda a deixar de fumar. A leitura é digital ou analógica, pré-cozinhada, pré-datada ou pré-aquecida. A leitura é globalização multicultural, é offshore outsourcing, leasing e cash flow. A leitura é hiperativa, hipersensível e hipercrítica. A leitura tem mangas curtas, mangas compridas, pregas, bainhas e existe em todos os tons da moda, com 60% de desconto. Ler tira nódoas de vinho, café, gordura, óleo e sangue. Ler é bom, ler faz bem. Ler é do melhor."

José Luís Peixoto, 23 de abril de 2019, Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor

 

Manifesta-te pela Leitura

 

Livros | Prémios de José Luís Peixoto

 

Galveias - The Best Translation Award 2019 (Japão)

Galveias - Prémio Oceanos - Prémio de Literatura em Língua Portuguesa 2016 (Brasil)

Livro - Prémio Libro d'Europa 2013 (Itália)

A Criança em Ruínas - Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores 2013 (Portugal)

Gaveta de Papéis - Prémio de Poesia Daniel Faria 2008  (Portugal)

Cemitério de Pianos - Prémio Cálamo 2007 (Espanha)

Nenhum Olhar - Prémio Literário José Saramago 2001 (Portugal)

Morreste-me foi escolhido como um dos 10 livros da primeira década do século XXI pela revista Visão em 2010. 

Nenhum Olhar foi escolhido um dos livros da década pelo jornal Expresso e foi incluído na lista do Financial Times dos melhores romances publicados em Inglaterra em 2007.

Uma Casa na Escuridão foi incluído na edição europeia de "1001 Livros para Ler Antes de Morrer - Um guia cronológico dos mais importantes romances de todos os tempos".

 

A sua obra tem  sido muito bem recebida pela crítica  quer nacional quer internacional. “Os seus livros estão traduzidos e publicados em 26 idiomas. O romance Galveias foi o primeiro livro de língua portuguesa a ser traduzido diretamente para o idioma georgiano, tendo acontecido o mesmo ao livro A Mãe que Chovia, que foi o primeiro a ser traduzido diretamente do português para o mongol.”

  

 

 

Livros do autor

 Regresso a casa     Autobiografia     O caminho imperfeito 

 Em teu ventre     Galveias     Uma casa da escuridão 

Cemitério de pianos      Dentro do segredo      Livro 

Cal      Nenhum olhar      Morreste-me 

 Estrangeiras     Uma casa da escuridão     Gaveta de papéis 

                A mãe que chovia     Todos os escritores